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Quatro cachorros é muito? Talvez a definição de família precise mudar

 Hoje estava passeando com meus bebês — os de quatro patas, obviamente — quando passei pela pracinha e ouvi uma moça comentar: — Nossa, quantos cachorros! Eu olhei para os meus. Um. Dois. Três. Quatro. Pensei: Ué... são só quatro. 😂 Tenho dois grandes e dois pequenos. E olha que nem estavam todos juntos! Agora fiquei imaginando se ela encontrasse a família completa. Talvez precisasse sentar um pouco antes de processar a informação. 😂 Mas aquela frase ficou na minha cabeça. Por que quatro cachorros parecem tantos? Se alguém passa empurrando um carrinho com duas, três ou quatro crianças, a reação provavelmente seria outra. "Que família bonita." "Que crianças lindas." "Como são comportadas." Mas quando são quatro animais, aparece aquele olhar de espanto. "Mas tudo isso de cachorro?" E eu fico pensando: Por quê? Por que ainda existe essa ideia de que ter animais em casa é algo secundário, estranho ou exagerado? Claro que ter vários animais exige re...

Basta alguém apontar um monstro para todo mundo começar a enxergar um

Depois da minha última crise, decidi dar uma pausa nas séries e filmes mais pesados. Nada de terror. Nada de crimes. Nada de histórias que me fazem olhar para o teto antes de dormir pensando: “Por que eu fui assistir isso?” 😂 Resolvi voltar para algo um pouco mais inocente. Ou pelo menos era o que eu imaginava. Coloquei A Bela e a Fera , uma história que fez parte da minha infância. Só que existe uma coisa curiosa em crescer: algumas histórias continuam iguais, mas nós mudamos. E quando assistimos novamente muitos anos depois, começamos a perceber coisas que simplesmente passavam despercebidas quando éramos crianças. Dessa vez, quem chamou minha atenção não foi a Bela. Foi Gaston. E, principalmente, o poder que ele tinha de influenciar as pessoas. Gaston é aquele tipo de personagem que entra em um ambiente e parece saber exatamente como conduzir as pessoas para onde quer. Ele conhece a reputação que possui. Sabe que é admirado. Sabe que as pessoas escutam o que ele diz. E utiliza iss...

15 milhões de dólares esperando por mim. Só faltou combinar com a realidade

Hoje eu abri meu e-mail e encontrei uma mensagem que, sinceramente, me fez pensar por alguns segundos: “Será que alguém realmente acredita nisso?” A mensagem vinha de um suposto gerente de contas de um banco de investimentos em Burkina Faso. Segundo ele, existia uma conta pertencente a um cliente antigo que teria morrido durante os acontecimentos de 11 de setembro de 2001. Até aí, você já começa a levantar uma sobrancelha. Mas calma que fica melhor. Segundo a mensagem, havia nada menos que 15,8 milhões de dólares nessa conta. E aparentemente eu fui escolhida para participar dessa história financeira digna de roteiro de filme. A proposta? Uma divisão muito conveniente: 40% para mim, 50% para o remetente e os outros 10% para alguma finalidade que, sinceramente, eu nem cheguei a entender direito. Tudo isso mediante a minha “cooperação honesta”. Honesta. Porque aparentemente o que estava faltando para resolver uma fortuna de milhões de dólares era justamente a minha honestidade. 😂 Agora ...

Quando o Trabalho Também Traz Boas Pessoas

 Eu trabalho desde os meus 17 anos. Na verdade, antes mesmo disso eu já ajudava meus pais, que sempre trabalharam de forma autônoma. Como os trabalhos eram feitos em casa, eu cresci vendo atendimento, clientes entrando e saindo e aquela movimentação que existe quando você trabalha por conta própria. Mas foi quando estava chegando perto de terminar a escola e completar 18 anos que consegui meu primeiro emprego fora de casa. E, desde então, já são aproximadamente 12 anos trabalhando para empresas e pessoas. Doze anos. Dá para aprender bastante coisa nesse tempo. Inclusive algumas que ninguém coloca no currículo. Aprendi sobre responsabilidade. Aprendi sobre atendimento. Aprendi sobre pressão. Aprendi sobre convivência. E, principalmente, aprendi que colega de trabalho e amigo são coisas diferentes. Talvez eu tenha demorado um pouco para entender isso. No começo da minha vida profissional, eu era bastante ingênua nesse sentido. Já cheguei, inclusive, a compartilhar uma i...

Quando o Corpo Diz: Chega

Hoje tive uma crise de ansiedade. Choro fácil, suor, palpitação e uma sensação estranha no peito que apareceu durante o horário de trabalho. E o pior? Eu nem sabia exatamente de onde aquilo estava vindo. Minha colega de trabalho percebeu que eu não estava bem e me ofereceu um chá. E, segundo Sheldon, de The Big Bang Theory , uma bebida quente aparentemente resolve boa parte dos problemas da humanidade. 😂 Não vou mentir: naquele momento, aceitei a teoria. Depois do chá, consegui seguir o restante do dia normalmente. Mas aquela sensação de peso continuava ali, como se alguma coisa estivesse tentando chamar minha atenção. No fim do expediente, minha esposa foi me buscar. Íamos ao mercado comprar algumas coisas para repor em casa e, quando chegamos ao estacionamento, aconteceu novamente. Outra crise. Só que, dessa vez, uma coisa ficou muito clara para mim. Eu estava ao lado dela e estava indo para casa. Meu porto seguro. E aquela sensação de finalmente poder parar pareceu di...

Enquanto Você Bate o Ponto, Quem Está Vivendo o Seu Sonho?

 Hoje pela manhã, a caminho do trabalho, dentro do ônibus — como todo bom CLT que começa o dia contando os minutos para chegar e, provavelmente, os minutos para ir embora — comecei a observar as pessoas. A cada parada, a cada farol fechado, olhava pela janela. E comecei a reparar nos rostos. Alguns com aquela famosa cara de paisagem , como se a alma ainda estivesse dormindo. Outros pareciam tristes. Alguns, decepcionados. E outros tinham aquele olhar que não sei explicar, mas que parece dizer: "É isso mesmo que eu estou fazendo da minha vida?" Talvez eu estivesse apenas projetando minhas próprias ideias naquelas pessoas. Talvez estivessem perfeitamente felizes. Talvez alguém estivesse pensando no almoço. Talvez outro estivesse planejando uma viagem. Talvez alguém tivesse acabado de receber uma boa notícia. Afinal, não dá para saber o que existe por trás de um rosto desconhecido. Mas aquela cena me fez pensar. Quantas pessoas acordam todos os dias para fazer alg...

O tempo também chega para eles

 Quem acompanha o blog sabe que o Ted ainda está em tratamento. Depois dos exames, o veterinário foi bem claro: antes da castração, ele precisaria passar por 30 dias de medicação manipulada para estabilizar o fígado. Só depois disso seria seguro realizar a cirurgia. Como eu estava prestes a começar em um novo trabalho e passaria boa parte do dia fora, decidimos que o melhor seria ele voltar temporariamente para a chácara dos meus pais, em Minas Gerais. Lá ele teria espaço para caminhar, grama para deitar, terra para cheirar e muito mais liberdade do que teria ficando sozinho em casa. Confesso que meu coração ficou apertado quando ele foi embora. Quem resgata um animal cria um vínculo difícil de explicar. Mas, às vezes, amar também significa escolher o que é melhor para ele, mesmo que isso doa na gente. Enquanto isso, começaram os preparativos finais do meu casamento. No dia 25 de junho, meus pais viajaram de madrugada para conseguir chegar a tempo da cerimônia, marcada para...

Quando a memória falha, o carinho precisa permanecer

 Na última quarta-feira, dia 22 de julho, minha avó completou 80 anos. Infelizmente, por causa do trabalho e de um treinamento da empresa logo após o expediente, não consegui visitá-la naquele dia. Mas no sábado fiz questão de ir. E voltei para casa com o coração diferente. Sempre morei praticamente ao lado da minha avó. Na infância, era na casa dela que eu tomava chocolate quente. Assistíamos juntas aos desenhos da TV Cultura. Na adolescência, vieram as novelas. Ela dificilmente perdia um capítulo das novelas da Globo, e muitas vezes eu estava ali, assistindo ao lado dela. Era uma convivência simples. Mas era constante. Depois veio a pandemia. Como aconteceu em tantas famílias, as visitas passaram a ser limitadas para proteger os idosos. Na mesma época, minha avó começou a apresentar sinais de Alzheimer, doença que já existia no histórico da nossa família. A rotina mudou completamente. A preocupação aumentou. As decisões também. Naquele momento, cheguei a sugerir q...

Quando a Justiça demora, quem paga a conta?

 Existe uma frase muito conhecida no Direito que diz: "Justiça tardia é injustiça." Confesso que, ultimamente, ela tem feito cada vez mais sentido para mim. Daqui a poucas semanas, meu processo trabalhista completará um ano. A audiência aconteceu. A decisão foi favorável. Toda a documentação necessária já foi apresentada. O processo encerrou normalmente. E, ainda assim, continuo aguardando uma sentença para a próxima etapa. Receber meu dinheiro! Quem acompanha o blog sabe que já contei algumas partes dessa história. Depois de dois anos dedicados à empresa, desenvolvi problemas de saúde relacionados ao trabalho e acabei sendo desligada. Também relatei aqui as dificuldades que enfrentei com a condução do processo e os transtornos causados por uma situação envolvendo a advogada que representava meu caso.  Já contei aqui como uma situação envolvendo a condução do processo aumentou ainda mais esse desgaste. (Leia o relato completo aqui.) Tudo isso já gerou desgaste suf...

O serviço termina quando o cliente vai embora?

Hoje eu estava fazendo uma das tarefas mais glamourosas da vida adulta: tirando roupa do varal. E, do nada, me veio uma lembrança de quando eu tinha uns 15 anos. A primeira vez que fiz progressiva no cabelo. Quem viveu os anos 2000 provavelmente vai entender a empolgação. Naquela época, cabelo liso era praticamente um sonho nacional. Eu, que sempre tive muito cabelo — e continuo tendo — sonhava em sair do salão com aquele efeito escorrido de comercial de shampoo. Antes disso, meu método de alisamento era outro. Eu e minha mãe fazíamos exatamente como muitas famílias faziam naquela época: usávamos o ferro de passar roupa. Sim, você leu certo. Hoje parece absurdo, mas naquela época era relativamente comum ouvir histórias assim. Quando finalmente consegui fazer a tão sonhada progressiva, minha tia indicou a cabeleireira de confiança dela, em Santo André. Fui com minha mãe. Fui muito bem atendida. O procedimento foi feito normalmente e saí do salão feliz da vida. Poucos dias dep...

Nota fiscal não é favor. É direito!

Quem acompanha o blog sabe que, há alguns meses, resgatei o Ted, o cachorro abandonado em um pedágio.   (Se você ainda não conhece essa história, clique aqui.) Algum tempo depois, ele começou a apresentar alguns problemas de saúde. Fizemos exames, consultas, ultrassom e iniciamos o tratamento. (Essa parte da história também já contei aqui.) Durante todo esse processo, uma coisa ficou muito clara para mim: organização evita dor de cabeça. Sempre controlo tudo o que entra e tudo o que sai da minha casa. Cada gasto. Cada compra. Cada consulta. E, justamente por isso, logo no início do atendimento pedi que todas as despesas fossem acompanhadas da respectiva nota fiscal. A recepcionista foi muito educada e explicou que, no dia do ultrassom, a gerente entraria em contato comigo pelo WhatsApp para solicitar algumas informações necessárias para emitir a nota. Perfeito. Assunto resolvido. Ou pelo menos era o que eu imaginava. Chegou o dia do exame. O Ted fez o ultrassom. ...

A fila invisível da saúde pública

Quem depende do sistema público de saúde aprende uma coisa muito rápido: além de paciência, é preciso ter tempo. Muito tempo. Recentemente, minha esposa precisou realizar uma endoscopia. Depois de um período de espera, finalmente veio o agendamento. Até aí, tudo certo. O que chamou minha atenção foi o local e o horário. Ela foi encaminhada para realizar o exame na Brasilândia, um bairro onde nunca havia estado, com apresentação marcada para 1 hora da manhã . Confesso que nunca tinha visto algo parecido. Não estou questionando a qualidade do atendimento nem dos profissionais de saúde — que, muitas vezes, fazem verdadeiros milagres com a estrutura que têm. A minha reflexão é outra. Será que faz sentido uma pessoa precisar atravessar a cidade durante a madrugada para realizar um exame que exige sedação? Para quem conhece a região, talvez seja tranquilo. Mas imagine alguém que nunca esteve naquele lugar. Imagine quem depende de transporte público. Imagine uma mulher indo sozi...

Quando a tecnologia avança mais rápido que os idosos

Outro dia me peguei pensando em como envelhecer no Brasil exige coragem. Não apenas pelos problemas de saúde, pela aposentadoria apertada ou pela solidão que muitos enfrentam. Mas porque parece que, a cada ano, surgem novas formas de convencer idosos a gastar dinheiro que eles nem deveriam gastar. Meu sogro é aposentado e recebe, há muitos anos, a pensão deixada pela esposa. Infelizmente, durante boa parte da vida, foi uma pessoa boa até demais. Daquelas que tiram da própria boca para ajudar os outros. O problema é que nem todo mundo merece essa confiança. Ao longo dos anos, ele acabou acumulando dores de cabeça que poderiam ter sido evitadas. Uma delas foi quando aceitou financiar um celular em seu nome para um sobrinho. Parcelado. No boleto. O aparelho não durou nem dois meses. Segundo ele, o sobrinho acabou perdendo o celular por envolvimento com drogas. O telefone desapareceu. As parcelas continuaram chegando. Quem já ajudou alguém dessa forma sabe como termina essa ...