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O labirinto do Poupatempo e a arte da comunicação inexistente

 Hoje foi dia de ir ao Poupatempo para atualizar o RG. A experiência começou com a clássica e misteriosa logística de agendamento: aparentemente, marcam todos os usuários para o mesmo horário e a ordem de prioridade se resolve na fila, conforme a senha retirada na chegada. Quando minha senha finalmente foi chamada, fui recebida com um silêncio absoluto — nem um "bom dia". Mas até aí tudo bem, afinal, cada um oferece o que tem a oferecer.  A diversão começou quando a atendente olhou, reolhou e analisou minha certidão de casamento com uma expressão clara de ponto de interrogação no rosto. Sem saber como prosseguir, chamou a colega do lado para pedir socorro. Entendo que os funcionários de lá realizam uma variedade enorme de serviços, o que por um lado evita a rotina, mas por outro pode gerar esse tipo de insegurança em processos básicos. O problema é a completa ausência de diálogo. Trocaram de atendente para dar sequência ao meu pedido de RG nada menos que três vezes. Nenhuma d...

Quando a gestão ignora o óbvio e força a barra com o cliente

 Me peguei hoje, mais uma vez, pensando na vida e nas dinâmicas absurdas do mercado de trabalho. Será que é pedir demais querer apenas fazer o nosso trabalho com eficiência, entregar o esperado e ir para casa em paz? Parece que quanto mais a gente busca estabilidade, mais pedidos sem pé nem cabeça surgem na nossa frente. Recentemente, lembrei de uma exigência que recebi quando ainda estava na empresa e que resume bem a falta de noção de certas gestões. Pediram para que eu, como assistente de e-commerce, entrasse em contato com todos os clientes que haviam solicitado um simples orçamento desde o começo do ano, para perguntar "por que eles não fecharam a compra". Se você parar para pensar por dois segundos como consumidor, percebe o tamanho do contrassenso. Orçamento serve para quê? Para pesquisar preço, comparar opções, entender custos e planejar o orçamento pessoal. Aonde já se viu cobrar uma explicação do cliente meses depois por algo que ele apenas consultou? A essa altura,...

Empresa "humanizada" até a primeira página do atestado

 Quando você entra em um novo emprego e ouve que a empresa é "humana", que a cultura é acolhedora e que ali todos se ajudam, dá até uma esperança. A gente se sente quase como um adolescente no primeiro emprego, acreditando nas promessas do ambiente corporativo. Mas o tempo passa, os três meses de experiência se aproximam e a realidade se impõe de um jeito brutal. Tanto que já deixei até a carta de desligamento pronta. Sim, você pode pedir para sair no período de experiência com o devido aviso, sem que ninguém saia prejudicado (Saiba mais aqui) . E te conto o porquê. Recentemente, enfrentei uma fase difícil em casa com a perda do emprego da minha esposa. O acúmulo de preocupações com as contas cobra seu preço de formas inesperadas. Numa manhã, acordei antes do despertador e a respiração simplesmente não vinha. O ar não entrava, o peito doía tanto que eu não conseguia me curvar e o choro era incontrolável. Era um colapso físico e emocional. Naquele pânico, a única pessoa da emp...

O custo invisível de envelhecer num mundo sem empatia

 Passar o dia em um posto de saúde é um exercício doloroso de observação social. Entre a espera na recepção e as conversas com as enfermeiras — pela ausência de médicos —, as horas escorrem devagar. É o tipo de ambiente que escancara como o tempo e a paciência do cidadão são tratados como artigo descartável. Enquanto aguardava na fila da farmácia para pegar meus remédios, notei uma senhora com visível dificuldade para caminhar. Havia passado por uma cirurgia na perna e enfrentava o frio do dia com um esforço que exigia coragem. Ofereci-me para pegar os medicamentos para ela, e foi aí que ouvi a sua história. Ela havia chegado 15 minutos atrasada para a consulta. O motivo? Sua mobilidade reduzida. A resposta da recepção? Um "não" seco, informando que ela havia perdido o atendimento. É inacreditável a completa falta de bom senso e humanidade de um sistema que não leva em consideração as limitações físicas de quem mais precisa. Ela não se curvou e conseguiu ser atendida "na...

Eu Casei. Fui Para Mendoza. E Descobri Que Talvez O Problema Seja a Gente

Eu sei. Estou a quase três meses casada. Três. Meses. E só agora venho contar. Poderia dizer que estava ocupadíssima, que a vida estava corrida, que tive problemas técnicos, que o Blogger resolveu me odiar... Mas a verdade é muito mais interessante: Eu casei.  Sim, gente. Casei. E logo em seguida na volta da lua de mel já comecei a trabalhar. Sim, trabalhar. Eu mesma estou escrevendo isso e ainda parece um pouco estranho. Nunca imaginei que me casaria. Meu plano de vida era trabalhar, conhecer o mundo, juntar dinheiro, conhecer mais lugares, trabalhar um pouco mais para poder conhecer outros lugares... Casamento nunca esteve exatamente no topo da minha lista de prioridades. E olha eu aqui. Casada. A vida realmente adora fazer a gente de palhaça. E, como se casar já não fosse uma mudança e tanto, resolvemos fazer nossa lua de mel na Argentina. Mais especificamente em Mendoza . E que escolha maravilhosa. Mendoza, você foi uma surpresa muito bonita Antes de ir, eu tinha aquela expecta...

🎭 A vida adulta tem boletos, responsabilidades e… também precisa ter dates!

Hoje tivemos um date. Sim, uma data planejada com alguns dias de antecedência . Porque depois que a gente cresce, descobre que a espontaneidade é linda na teoria, mas na prática existe uma pequena coisa chamada contas 😂 Quem tem casa, família, compromissos, trabalho, boleto, mercado, responsabilidades e uma lista mental de coisas que deveria fazer A gente não simplesmente acorda e pensa: “Amor, vamos sair?”  Não. Primeiro olha a agenda. Depois olha o dinheiro. Depois pensa no horário. Depois lembra que tem alguma coisa para fazer no dia seguinte. Depois pensa: “Será que vale a pena?” E finalmente responde:  “Vamos!” Porque se a gente espera a vida ficar completamente tranquila para aproveitar, meus amigos… pode sentar que vai demorar. 😂  Nosso destino dessa vez foi o Bourbon Shopping São Paulo , mais especificamente o Teatro Bradesco . E, como somos duas criaturas que moram em uma zona de São Paulo e resolvem atravessar a cidade para um evento, obviamente ...

Quando chega a eleição, chega também a obra?

Sabe aquela sensação de que, quando a eleição começa a se aproximar, algumas coisas que estavam esquecidas há anos finalmente começaram a acontecer? É curioso. Durante meses — às vezes anos — uma rua espera pelo asfalto. Uma escola espera por reforma. Um posto de saúde espera por melhorias. Uma praça continua abandonada. Um problema que todo mundo conhece permanece ali, como se fez parte da paisagem. Então, de repente… A eleição se aproxima. E começam as obras. Muros recebem pintura, ruas são revitalizadas, equipamentos públicos ganham reforma, placas aparecem anunciando investimentos milionários e, de repente, aquilo que parecia impossível durante tanto tempo começa a acontecer. Coincidência?  Pode ser. Mas será que nós, como cidadãos, deveríamos simplesmente olhar para a obra pronta e agradecer? Ou deveríamos fazer algumas perguntas antes de decidir nosso voto? A placa diz quanto foi investido. Mas quem está perguntando o resto? Uma coisa que sempre me chama atenção é ...