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Manual do fracasso: como administrar uma empresa do jeito errado

 Esses dias eu estava vendo aqueles vídeos de “flagra” da internet — aqueles que fazem a gente questionar se ainda existe bom senso no ser humano. Até que lembrei de um antigo trabalho meu. Entrei em uma “empresa” — tem CNPJ, então teoricamente é uma empresa, né? Mas daquelas que não conhecem muito bem palavras como lei, padrão, organização… respeito então, nem se fala. O tempo foi passando, e como todo mundo que precisa trabalhar, você aprende rápido. Me adaptei. Meu cargo? Vender. Vender para adegas, restaurantes, botecos… vender. Só que tinha um detalhe curioso. Tudo — absolutamente tudo — precisava passar pela patroa. Preço? Ela. Desconto? Ela. Condição? Ela. E, claro, ela nunca estava disponível quando você precisava negociar. Agora me explica: como se vende sem negociar? A gente tinha que adivinhar o humor do dia. Era quase um jogo: “será que hoje a dona quer trabalhar?” Porque sem falar com ela… não tinha venda. E aí você percebe: não é falta de funcionário comp...

Meu processo, o boletim e o tratamento de quem precisa de justiça

Aqui estou eu, mais um dia na espera do meu processo contra a advogada que insiste em segurar o que é meu. Agora, vale deixar uma dica: se o valor em jogo for menor que 20 salários mínimos, você pode, sim, seguir com a ação sozinho. É uma dica, caso alguém não saiba — e ainda ache que tudo se resolve com advogados… principalmente quando se tem um de confiança, o que nem sempre é a realidade. No meu caso, segui sozinha, porque, quando se perde a confiança num advogado, a gente fica na segunda. É quando você percebe que não tem mais para onde correr — e precisa, por conta própria, buscar um caminho. E os conselhos? “Procure outro advogado.” Claro. Todo mundo aparece com uma solução pronta. Mas, no fim, te mandam para a delegacia. Tentei fazer o boletim pela internet, mas o site é um verdadeiro labirinto: confuso, travado, cada clique um beco sem saída. E, sendo bem sincera, eu também queria evitar o atendimento presencial… porque sabemos como funciona. Falta de empatia virou padrão, e mu...

A farsa do reajuste

Todo ano, o mesmo espetáculo grotesco: o reajuste das tarifas de ônibus, enquanto a empresa, na sua “brilhante eficiência”, decide cortar cobradores. Sim, um único motorista dirige, cobra, explica — e, óbvio, o sistema de bilhetes vive travando. A empresa quer controle? Não. Ela quer lucro. Mas como se faz um controle real? Eu me pergunto isso porque vejo, todos os dias, situações que simplesmente não fecham. Passageiros pedindo carona e sendo liberados. Sistema fora do ar. Pessoas ficando na frente do ônibus e descendo por ali mesmo, sem girar catraca, sem qualquer registro real. E aí? Cada motorista decide como agir. A catraca falha. O sistema não carrega. O dinheiro entra… mas como isso é contabilizado? E deixo claro: não estou acusando os motoristas. Muitos fazem o possível dentro de um sistema falho. Recebem o valor, orientam o passageiro, tentam manter alguma ordem no caos. Mas, ainda assim… como controlar quantas pessoas utilizam o transporte? Como controlar entradas, s...

Pet friendly ou pet tolerado mediante taxa?

 Pesquisando uma pousada para tirar uns dias de descanso merecido em casal — mas claro, que aceite pet — comecei a ver as opções de ida de avião ou carro. E vamos combinar: infelizmente as companhias aéreas fazem de tudo para dificultar a ida do seu bichinho junto com você. Fui ver todas as possibilidades, toda a papelada necessária… e mesmo assim, se o seu pet não couber embaixo do banco da frente — que, vamos lá né, mal cabe a gente, quem dirá um ser vivo naquele cubículo — querem empurrar o animal como carga. CARGA. Como se fosse uma mala despachada. Uma vergonha. Quem foi o imbecil que pensou nisso? E quem foi o outro que autorizou? Apêndice necessário (porque a realidade às vezes consegue ser pior que a ironia): Não faz muito tempo que circulou a notícia de um cachorro transportado na carga da Latam que morreu após o voo. Um ser vivo tratado como objeto logístico. E depois vêm as notas oficiais, os “lamentamos o ocorrido” e os protocolos que “serão revisados”. Mas a pergunt...

A coxinha que me fez questionar o mundo

 Na cidade vizinha de onde meus pais moram existe uma padaria. Uma padaria comum. Fachada simples. Nada instagramável. Mas ali… existe uma coxinha. E não é qualquer coxinha. Ela é sequinha. Nada oleosa. Super crocante. O tempero? Digno. Recheio generoso, equilibrado, sem aquele gosto industrial que parece temperado com arrependimento. E os sachês? Marca boa. De verdade. Ketchup com cor de ketchup. Maionese com gosto de maionese. Mostarda que não parece água colorida. Dá gosto rasgar com os dentes e espalhar onde vai dar a próxima abocanhada. Na última vez que fui, comi cinco. Sim, cinco. E ainda esperei assarem mais para levar para casa. Sem culpa. Porque aquilo ali valia um almoço. E aí eu volto para São Paulo. Especialmente o centro. E me pergunto: por que é tão difícil comer um salgado decente? Você paga. Morde. E se arrepende. Salgado encharcado. Massa pesada. Recheio duvidoso. Sachê transparente de tão ralo. Tem ketchup que nem vermelho é direito....

Só sou lembrada quando a bucha é grande

 Existe um tipo específico de convocação na minha vida. Ela nunca começa com: “Como você está?” Ela começa com: “Oi. Preciso que você...” Meu sogro é a personificação da bondade desprotegida. Mais de 60 anos. Sem casa própria. Sem bens. Mas com um coração que cabe o mundo — e um talento impressionante para aceitar qualquer coisa que empurrem pra ele. Fim do ano passado ele apareceu com um celular novo. Capa. Película. Nota fiscal mostrando R$150 numa película. Eu tive um pequeno colapso silencioso. “Já estava colocado, então eu paguei”, ele disse. Se alguém oferecer um rim parcelado em 12x, ele considera. E não é maldade. É ingenuidade combinada com vendedores que enxergam aposentadoria como meta mensal. Outro dia surgiu com mais uma situação: “Preciso que você vá comigo na Pernambucanas resolver um chip.” Um chip. Ele já tem um. Mas aceitaram vender outro. Que era 29,90. Ou 140 e pouco. Ou 200 e tanto. Nem ele sabe explicar. E eu tentando extrair informações como s...

O Brasil não é para amadores (e muito menos para quem guarda conversa)

 Fui checar o andamento do processo contra a advogada. Sim, aquela mesma. A do primeiro capítulo dessa novela jurídica não solicitada. E descobri algo fascinante: Segundo ela, eu estou mentindo. Eu, que pedi meu dinheiro com paciência. Eu, que esperei. Eu, que conversei. Eu, que insisti educadamente antes de procurar meus direitos. Segundo ela, eu bloqueei desde o início e por isso ela não fez os repasses faltantes. Ah, querida. O WhatsApp não mente. Tenho as conversas. Tenho os áudios. Inclusive aquele em que você diz que devolveria 100% do valor do segundo serviço jurídico que não foi feito — porque eu cancelei em menos de 24h. Em nenhum momento foi falado sobre “taxa por perguntas”. Muito pelo contrário. “Você pode perguntar, você já é cliente do escritório.” Está gravado. Mas agora, curiosamente, a narrativa mudou. E o mais interessante? Essa mesma advogada já trocou de sócios várias vezes. Pessoa próxima a mim relata cobranças duplicadas, parcelas já pagas que não f...