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Pet friendly ou pet tolerado mediante taxa?

 Pesquisando uma pousada para tirar uns dias de descanso merecido em casal — mas claro, que aceite pet — 

comecei a ver as opções de ida de avião ou carro. E vamos combinar: infelizmente as companhias aéreas fazem de tudo para dificultar a ida do seu bichinho junto com você.

Fui ver todas as possibilidades, toda a papelada necessária… e mesmo assim, se o seu pet não couber embaixo do banco da frente — que, vamos lá né, mal cabe a gente, quem dirá um ser vivo naquele cubículo — querem empurrar o animal como carga. CARGA. Como se fosse uma mala despachada. Uma vergonha. Quem foi o imbecil que pensou nisso? E quem foi o outro que autorizou?

Apêndice necessário (porque a realidade às vezes consegue ser pior que a ironia):

Não faz muito tempo que circulou a notícia de um cachorro transportado na carga da Latam que morreu após o voo. Um ser vivo tratado como objeto logístico. E depois vêm as notas oficiais, os “lamentamos o ocorrido” e os protocolos que “serão revisados”. Mas a pergunta continua: por que ainda tratam vidas como bagagem? É exatamente esse o medo de qualquer tutor que se recusa a aceitar esse absurdo.

Mas ok. Sem chances de avião.

Vamos ver outro lugar que dê para ir de carro e que aceite pet.

Achei uma pousada “pet friendly”. Aceita, sim. Mediante uma taxa de R$ 89,00. Diárias. Isso mesmo: diárias.

Mas com alguns “quesitos”, claro.

Você, dono do pet, precisa levar absolutamente tudo o que seu animal vai precisar: vasilhas, ração, cama, brinquedos, enfim, tudo. E claro, se eu vou levar minha bebê, não vou deixar faltar nada a ela. Isso nem se discute.

Mas aí eu pergunto: essa taxa é sobre o quê exatamente?

Entrei em contato com a pousada. E o mais curioso é que eles não souberam me dizer do que se tratava essa taxa. Nenhuma justificativa plausível. Afinal, eu levo tudo. Eles não fornecem nada.

Ah, perdão. Fornecem sim.

Água fresca.

A moça ainda disse isso como se fosse um grande diferencial competitivo. Água fresca. O mínimo virou benefício premium.

E tem mais.

O pet precisa permanecer todo o tempo na coleira e não pode transitar onde as pessoas ficam na pousada. Ou seja, ele pode existir, desde que invisível. Gente… sem nexo.

A taxa de R$ 89,00 era basicamente para dizer que tem um pet no local. Como se fosse uma pessoa pagante. Mas uma pessoa que não pode circular, não pode usufruir, não pode aparecer.

Outro detalhe: se o animal estragar algo no quarto, existe uma cobrança de mil e poucos reais para cobrir o prejuízo. Não se pode deixar o animal no quarto e sair. Mas aí eu te pergunto: quem viaja com seu pet para deixá-lo trancado no quarto? Só um imbecil sem coração, né? Mais fácil nem levar e deixar com alguém responsável.

Ou seja: você paga R$ 89,00 por dia para o seu animal simplesmente respirar dentro do recinto.

Não pode circular.
Não pode acessar áreas comuns.
Não pode ficar sozinho no quarto.

Se o casal quiser tomar café da manhã — que pelo menos isso a pousada fornece — teria que ir um de cada vez. Porque não pode levar o pet e nem deixá-lo no quarto.

Isso é ser pet friendly?

Ou é ser pet tolerado sob taxa e vigilância?

Vivendo um dia de cada vez e observando esses absurdos da sociedade. O mercado ama um rótulo bonito. Mas, na prática, é só mais uma forma de cobrar por algo que não entrega absolutamente nada em troca.

Pequena matéria necessária: cuidado não é só água e ração

Aproveitando o tema, vale lembrar algo que parece óbvio, mas ainda precisa ser dito: um cachorro não precisa apenas de água fresca e comida no pote. Isso é o básico da sobrevivência. Não é qualidade de vida.

Cães são seres sencientes. Precisam de estímulo mental, interação social, movimento, vínculo, cheiro novo, ambiente enriquecido. Precisam gastar energia física e também energia emocional. Precisam explorar, brincar, resolver pequenos desafios, sentir segurança e pertencimento.

Um ambiente estimulador inclui:

– Passeios regulares que não sejam apenas “dar a volta no quarteirão”, mas permitir que o animal cheire, explore e processe o mundo.
– Brinquedos interativos que desafiem a mente.
– Rotina estruturada que traga previsibilidade e segurança.
– Contato e presença do tutor, porque vínculo não se substitui com pote de ração cheio.
– Espaços onde ele possa circular com liberdade e segurança.

Reduzir um cão a “água fresca” é tratar vida como acessório. E quem entende minimamente de bem-estar animal sabe que enriquecimento ambiental não é luxo — é necessidade.


Atenciosamente,
A observadora Ácida

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