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Mostrando postagens com o rótulo Trabalhar ou Sobreviver

Quando o Trabalho Também Traz Boas Pessoas

 Eu trabalho desde os meus 17 anos. Na verdade, antes mesmo disso eu já ajudava meus pais, que sempre trabalharam de forma autônoma. Como os trabalhos eram feitos em casa, eu cresci vendo atendimento, clientes entrando e saindo e aquela movimentação que existe quando você trabalha por conta própria. Mas foi quando estava chegando perto de terminar a escola e completar 18 anos que consegui meu primeiro emprego fora de casa. E, desde então, já são aproximadamente 12 anos trabalhando para empresas e pessoas. Doze anos. Dá para aprender bastante coisa nesse tempo. Inclusive algumas que ninguém coloca no currículo. Aprendi sobre responsabilidade. Aprendi sobre atendimento. Aprendi sobre pressão. Aprendi sobre convivência. E, principalmente, aprendi que colega de trabalho e amigo são coisas diferentes. Talvez eu tenha demorado um pouco para entender isso. No começo da minha vida profissional, eu era bastante ingênua nesse sentido. Já cheguei, inclusive, a compartilhar uma i...

Enquanto Você Bate o Ponto, Quem Está Vivendo o Seu Sonho?

 Hoje pela manhã, a caminho do trabalho, dentro do ônibus — como todo bom CLT que começa o dia contando os minutos para chegar e, provavelmente, os minutos para ir embora — comecei a observar as pessoas. A cada parada, a cada farol fechado, olhava pela janela. E comecei a reparar nos rostos. Alguns com aquela famosa cara de paisagem , como se a alma ainda estivesse dormindo. Outros pareciam tristes. Alguns, decepcionados. E outros tinham aquele olhar que não sei explicar, mas que parece dizer: "É isso mesmo que eu estou fazendo da minha vida?" Talvez eu estivesse apenas projetando minhas próprias ideias naquelas pessoas. Talvez estivessem perfeitamente felizes. Talvez alguém estivesse pensando no almoço. Talvez outro estivesse planejando uma viagem. Talvez alguém tivesse acabado de receber uma boa notícia. Afinal, não dá para saber o que existe por trás de um rosto desconhecido. Mas aquela cena me fez pensar. Quantas pessoas acordam todos os dias para fazer alg...

A era do resultado sem percurso

Esta semana me peguei refletindo sobre uma coisa curiosa: parece que estamos vivendo a era do resultado sem percurso. Todo mundo quer chegar. Pouca gente quer caminhar. A observação começou por causa de uma história que ouvi de uma operadora de caixa. Ela já tinha experiência na função, trabalhava em outro mercado e resolveu aceitar uma oportunidade em um estabelecimento maior. Só que mercado grande é diferente. O movimento é constante. Cliente chega. Cliente sai. Fila aparece. Fila desaparece. Reposição acontece. Problema surge. Outro problema aparece logo em seguida. Em resumo: trabalho de verdade. Depois de pouco tempo, ela pediu demissão. Quando perguntaram o motivo, a resposta foi simples: — É muito corrido. Cansa demais. E foi aí que comecei a pensar. Não estou dizendo que ninguém deve permanecer em um emprego que faz mal. Muito menos defendendo jornadas abusivas ou ambientes tóxicos. Quem acompanha o blog sabe que já escrevi bastante sobre empresas que transformam o trabalho em ...

O privilégio da grosseria: quando idade vira desculpa para falta de respeito

 Era 31/12/2020. O mundo inteiro assustado com a Covid-19, pessoas fazendo promessas para o ano novo, desejando saúde, estabilidade e qualquer esperança possível depois de um ano tão pesado. E eu? Desempregada, fazendo minha própria promessa silenciosa: “na primeira semana de janeiro vou arrumar um emprego”. E arrumei. Graças a uma indicação de uma tia, comecei a trabalhar para um senhor dono de banca de jornal. E aqui preciso reconhecer: sou grata pela oportunidade e pelos aprendizados. Sempre fui do tipo que não faz corpo mole. Precisava trabalhar? Então eu ia. Horário às 7h da manhã? Eu estava lá. O movimento era intenso, corrido, cheio de coisas para aprender. Atendimento, organização, vendas… gostei da experiência. Fiz amizade com uma funcionária incrível, dessas pessoas raras que a vida entrega sem aviso. Até hoje mantemos contato, porque amizade verdadeira não depende de frequência, depende de conexão. Foi ela quem me avisou: “Olha… a esposa dele é difícil. Boa pessoa, ...

Ambiente tóxico no trabalho: quando pequenos poderes viram humilhação

Eu não sei vocês, mas quando eu chegava em emprego novo, eu observava primeiro. Ficava quieta, fazia meu trabalho e era eu mesma. Cargo? Operadora de caixa. E claro… não podia faltar a figura clássica do comércio brasileiro: a fiscal de caixa amarga da vida. Desde o primeiro dia ela tentou se aproximar. Queria amizade rápida demais, intimidade rápida demais e, principalmente, despejar veneno rápido demais. Falava mal da loja. Falava mal dos funcionários. Falava mal da gerência. Falava mal da própria vida. Mas como eu tinha entrado ali focada em trabalhar — afinal era perto da minha casa — deixei entrar por um ouvido e sair pelo outro. Sou dessas: gosto de ver com meus próprios olhos antes de comprar o discurso dos outros. E olha… com o tempo eu vi. Não lembro exatamente a ordem dos fatos porque foram quase dois anos naquele lugar, mas algumas situações ficaram gravadas. O dia dos salgadinhos empilhados Uma cliente passou vários fardos de salgadinho no meu caixa. Empilhei ...

Gestão tóxica no trabalho: sinais de uma empresa desorganizada

 Esses dias eu estava vendo aqueles vídeos de “flagra” da internet —  aqueles que fazem a gente questionar se ainda existe bom senso no ser humano. Até que lembrei de um antigo trabalho meu. Entrei em uma “empresa” — tem CNPJ, então teoricamente é uma empresa, né? Mas daquelas que não conhecem muito bem palavras como lei, padrão, organização… respeito então, nem se fala. O tempo foi passando, e como todo mundo que precisa trabalhar, você aprende rápido. Me adaptei. Meu cargo? Vender. Vender para adegas, restaurantes, botecos… vender. Só que tinha um detalhe curioso. Tudo — absolutamente tudo — precisava passar pela patroa. Preço? Ela. Desconto? Ela. Condição? Ela. E, claro, ela nunca estava disponível quando você precisava negociar. Agora me explica: como se vende sem negociar? A gente tinha que adivinhar o humor do dia. Era quase um jogo: “será que hoje a dona quer trabalhar?” Porque sem falar com ela… não tinha venda. E aí você percebe: não é falta de funcionári...

Meu processo, o boletim e o tratamento de quem precisa de justiça

Aqui estou eu, mais um dia na espera do meu processo contra a advogada que insiste em segurar o que é meu. Agora, vale deixar uma dica: se o valor em jogo for menor que 20 salários mínimos, você pode, sim, seguir com a ação sozinho. É uma dica, caso alguém não saiba — e ainda ache que tudo se resolve com advogados… principalmente quando se tem um de confiança, o que nem sempre é a realidade. No meu caso, segui sozinha, porque, quando se perde a confiança num advogado, a gente fica na segunda. É quando você percebe que não tem mais para onde correr — e precisa, por conta própria, buscar um caminho. E os conselhos? “Procure outro advogado.” Claro. Todo mundo aparece com uma solução pronta. Mas, no fim, te mandam para a delegacia. Tentei fazer o boletim pela internet, mas o site é um verdadeiro labirinto: confuso, travado, cada clique um beco sem saída. E, sendo bem sincera, eu também queria evitar o atendimento presencial… porque sabemos como funciona. Falta de empatia virou padrão, e mu...

A farsa do reajuste

Todo ano, o mesmo espetáculo grotesco: o reajuste das tarifas de ônibus, enquanto a empresa, na sua “brilhante eficiência”, decide cortar cobradores. Sim, um único motorista dirige, cobra, explica — e, óbvio, o sistema de bilhetes vive travando. A empresa quer controle? Não. Ela quer lucro. Mas como se faz um controle real? Eu me pergunto isso porque vejo, todos os dias, situações que simplesmente não fecham. Passageiros pedindo carona e sendo liberados. Sistema fora do ar. Pessoas ficando na frente do ônibus e descendo por ali mesmo, sem girar catraca, sem qualquer registro real. E aí? Cada motorista decide como agir. A catraca falha. O sistema não carrega. O dinheiro entra… mas como isso é contabilizado? E deixo claro: não estou acusando os motoristas. Muitos fazem o possível dentro de um sistema falho. Recebem o valor, orientam o passageiro, tentam manter alguma ordem no caos. Mas, ainda assim… como controlar quantas pessoas utilizam o transporte? Como controlar entradas, s...

O curso milagroso e o emprego que nunca existiu

 Aqui estou eu: fim de faculdade, currículo pronto, coragem na bolsa e aquele otimismo frágil de quem acredita que estudar ainda serve para alguma coisa.  Procuro vagas na minha área — estágio, PJ, CLT, o nome não importa, desde que venha acompanhado de dignidade. Uso plataformas de emprego, aquelas que prometem conectar empresas e profissionais. Tudo muito moderno. Tudo muito organizado. Até que recebo uma mensagem: “Envie seu currículo para: nomedaempresa (arroba) email (ponto) com”. Sim. Escrito assim. Como se estivéssemos em 2003. Como se ninguém soubesse usar o próprio sistema pelo qual está pagando. A vontade inicial foi rir. A segunda foi chorar. A terceira foi perceber que o problema não é tecnológico — é conceitual. A empresa se cadastra numa plataforma para ver currículos , mas pede que o candidato envie o currículo… fora da plataforma. É tipo entrar num restaurante e pedir delivery do prato que está na sua frente. Mas ok. Engoli o sarcasmo, respirei fundo e e...