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Meu processo, o boletim e o tratamento de quem precisa de justiça

Aqui estou eu, mais um dia na espera do meu processo contra a advogada que insiste em segurar o que é meu.

Agora, vale deixar uma dica: se o valor em jogo for menor que 20 salários mínimos, você pode, sim, seguir com a ação sozinho. É uma dica, caso alguém não saiba — e ainda ache que tudo se resolve com advogados… principalmente quando se tem um de confiança, o que nem sempre é a realidade.

No meu caso, segui sozinha, porque, quando se perde a confiança num advogado, a gente fica na segunda.

É quando você percebe que não tem mais para onde correr — e precisa, por conta própria, buscar um caminho.

E os conselhos?

“Procure outro advogado.”

Claro. Todo mundo aparece com uma solução pronta. Mas, no fim, te mandam para a delegacia.

Tentei fazer o boletim pela internet, mas o site é um verdadeiro labirinto: confuso, travado, cada clique um beco sem saída. E, sendo bem sincera, eu também queria evitar o atendimento presencial… porque sabemos como funciona. Falta de empatia virou padrão, e muitos ali parecem agir como se você estivesse atrapalhando o dia deles por simplesmente precisar de ajuda.

Sem paciência, decidi ir pessoalmente.

Chegando lá, o teatro já estava em cartaz: olhares vazios, atenção dividida com celular, ninguém realmente te escuta.

E é curioso…

A gente cresce assistindo séries como Lei & Ordem, onde a polícia investiga, protege, corre atrás, resolve.

Na ficção, existe justiça.

Na vida real… existe burocracia.

Quando tentei passar mais informações — porque um boletim de ocorrência precisa ser completo — pedi para incluir o CNPJ da advogada. A resposta foi simples: o nome completo já bastava.

Bastava pra quem?

Cada detalhe importa. Cada informação pode mudar um processo. Mas ali, o mínimo parece suficiente… ou talvez seja só o que estão dispostos a fazer.

E assim seguimos: você repete, insiste, tenta colaborar… e, no fim, sente que está falando sozinho.

É a piada pronta.

Você vira o palhaço da fila.

E a sua justiça?

Está lá. Parada. Em cima da mesa de alguém.

Aguardando leitura. Interpretação. Boa vontade.

Meu papel foi feito. Corri atrás, reuni provas, fiz o que precisava.

Mas, no final, a justiça depende de terceiros — da empatia de quem lê, da consciência de quem decide.

Porque me diga…

Você, advogado, que ganhou uma causa trabalhista, recebe o dinheiro parcelado… e, ao invés de repassar, segura.

Isso é o quê?

Se não for roubo, chega bem perto.

Enquanto isso, eu sigo aqui.

Aguardando. Ansiosa. Sem terapia, sem medicação que antes me ajudava a lidar com a ansiedade e o burnout deixado pela empresa à qual me dediquei por dois anos.

Agora, só me resta aguardar o retorno do juiz.

Porque, no fim… tudo depende dele.

📚 Indicação de leitura

Para quem também já se sentiu perdido dentro de um sistema que não faz sentido, recomendo O Processo, de Franz Kafka.

Um clássico que escancara o absurdo de enfrentar estruturas que prometem justiça, mas entregam confusão, demora e desgaste. Se esse texto te incomodou, esse livro provavelmente vai te entender.

👉 Confira a edição disponível na Amazon

Este texto faz parte da série “Trabalhar ou Sobreviver?”, onde observo os absurdos normalizados do mercado de trabalho moderno.


Atenciosamente,

A Observadora Ácida

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