Quem acompanha o blog sabe que o Ted ainda está em tratamento.
Depois dos exames, o veterinário foi bem claro: antes da castração, ele precisaria passar por 30 dias de medicação manipulada para estabilizar o fígado. Só depois disso seria seguro realizar a cirurgia.
Como eu estava prestes a começar em um novo trabalho e passaria boa parte do dia fora, decidimos que o melhor seria ele voltar temporariamente para a chácara dos meus pais, em Minas Gerais.
Lá ele teria espaço para caminhar, grama para deitar, terra para cheirar e muito mais liberdade do que teria ficando sozinho em casa.
Confesso que meu coração ficou apertado quando ele foi embora.
Quem resgata um animal cria um vínculo difícil de explicar.
Mas, às vezes, amar também significa escolher o que é melhor para ele, mesmo que isso doa na gente.
Enquanto isso, começaram os preparativos finais do meu casamento.
No dia 25 de junho, meus pais viajaram de madrugada para conseguir chegar a tempo da cerimônia, marcada para as 8h35.
Eles vieram acompanhados da Pietra, a cachorrinha idosa da minha mãe.
Na véspera da viagem, ela havia apresentado um quadro preocupante: perdeu a força nas patas dianteiras e traseiras de forma repentina. Nunca tínhamos visto algo parecido.
Mesmo assim, ela veio para que pudéssemos observá-la mais de perto.
O casamento aconteceu.
Foi um dia muito especial.
Depois do almoço em família, meus pais voltaram para Minas para cuidar dos cães, que já estavam há muitas horas sozinhos.
Infelizmente, durante esse período aconteceu algo que ninguém esperava.
Ted acabou sendo atacado por outros cães.
Só fiquei sabendo alguns dias depois, quando já estava em viagem de lua de mel.
Se eu tivesse recebido a notícia antes de embarcar, sinceramente, não teria viajado.
Teria ido direto para Minas.
Aquele cachorro que um dia encontrei abandonado em um pedágio já fazia parte da minha família.
Felizmente, meus pais prestaram todo o atendimento possível e o levaram imediatamente ao veterinário.
A Pietra também precisou de atendimento.
Após os exames, a suspeita foi de problemas relacionados à coluna, algo relativamente comum em cães idosos. No caso do Ted, o trauma da briga pode ter agravado um quadro que já existia devido à idade.
Hoje os dois seguem em tratamento.
Ted continua com movimentos mais limitados e sente desconforto na coluna, mas come bem, bebe bastante água e mantém aquele olhar de quem ainda tem muita vontade de viver.
A Pietra também está reagindo.
Compramos um carrinho de apoio para ajudá-la a se locomover.
O curioso é que ela faz questão de mostrar que ainda manda na própria vida: quando quer, consegue até escapar do carrinho sozinha.
Ela continua tentando andar por conta própria, mesmo que ainda tenha dificuldades para permanecer em pé por muito tempo.
E eu continuo acreditando que ela ainda vai surpreender todos nós.
Essa experiência me fez aprender algo importante.
Quando nossos cães envelhecem, os passeios também precisam envelhecer com eles.
Nem todo cachorro idoso quer correr.
Muitos só querem caminhar devagar.
Parar para cheirar uma árvore.
Descansar alguns minutos.
Observar o movimento.
E está tudo bem.
Passeio não é competição.
É qualidade de vida.
Respeitar o tempo de um cão idoso também é uma forma de amor.
Eles passaram a vida inteira acompanhando o nosso ritmo.
Talvez agora seja a nossa vez de acompanhar o deles.
📚 Indicação de leitura
O Encantador de Cães, de Cesar Millan
Muito além do adestramento, Cesar Millan mostra como compreender o comportamento dos cães em cada fase da vida. A obra ajuda o tutor a desenvolver uma relação baseada em respeito, observação e cuidado — especialmente importante quando nossos companheiros envelhecem e passam a precisar de mais paciência do que energia.
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Atenciosamente,
A Observadora Ácida
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