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Quando a gestão ignora o óbvio e força a barra com o cliente

 Me peguei hoje, mais uma vez, pensando na vida e nas dinâmicas absurdas do mercado de trabalho. Será que é pedir demais querer apenas fazer o nosso trabalho com eficiência, entregar o esperado e ir para casa em paz? Parece que quanto mais a gente busca estabilidade, mais pedidos sem pé nem cabeça surgem na nossa frente.

Recentemente, lembrei de uma exigência que recebi quando ainda estava na empresa e que resume bem a falta de noção de certas gestões. Pediram para que eu, como assistente de e-commerce, entrasse em contato com todos os clientes que haviam solicitado um simples orçamento desde o começo do ano, para perguntar "por que eles não fecharam a compra".

Se você parar para pensar por dois segundos como consumidor, percebe o tamanho do contrassenso. Orçamento serve para quê? Para pesquisar preço, comparar opções, entender custos e planejar o orçamento pessoal. Aonde já se viu cobrar uma explicação do cliente meses depois por algo que ele apenas consultou?

A essa altura, o cliente nem lembra mais que fez aquela cotação no início do ano. Abordá-lo dessa forma não é pós-venda, não é estratégia de relacionamento e muito menos inteligência comercial; é importunação. É forçar uma barra desnecessária por pura falta de planejamento de quem está no topo.

O que passa pela cabeça de certos patrões? Que abordar alguém meses depois vai magicamente "forçar" uma venda? Esse tipo de postura só demonstra o quanto a gestão está desconectada da realidade. Para conquistar e reter clientes, o primeiro passo é o mais básico de todos: pense como o cliente.

Enquanto as empresas continuarem criando demandas vazias para bater metas irrealistas, quem está na ponta operacional continua pagando o preço de lidar com ideias totalmente sem noção.


📚 Indicação de leitura

Gosta de analisar essas gafes de gestão e a falta de noção no ambiente corporativo?

Indico muito a leitura do livro "Regra é não ter regras: A Netflix e a cultura da reinvenção", de Reed Hastings e Erin Meyer. O livro mostra o oposto dessa gestão engessada: como empresas modernas abandonaram o microgerenciamento e as ideias sem sentido para focar no que realmente gera valor e respeita a autonomia dos funcionários (e o tempo do cliente).

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Atenciosamente,

A Observadora Ácida  

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