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Quando o Corpo Diz: Chega

Hoje tive uma crise de ansiedade.

Choro fácil, suor, palpitação e uma sensação estranha no peito que apareceu durante o horário de trabalho.

E o pior?

Eu nem sabia exatamente de onde aquilo estava vindo.

Minha colega de trabalho percebeu que eu não estava bem e me ofereceu um chá.

E, segundo Sheldon, de The Big Bang Theory, uma bebida quente aparentemente resolve boa parte dos problemas da humanidade. 😂

Não vou mentir: naquele momento, aceitei a teoria.

Depois do chá, consegui seguir o restante do dia normalmente. Mas aquela sensação de peso continuava ali, como se alguma coisa estivesse tentando chamar minha atenção.

No fim do expediente, minha esposa foi me buscar.

Íamos ao mercado comprar algumas coisas para repor em casa e, quando chegamos ao estacionamento, aconteceu novamente.

Outra crise.

Só que, dessa vez, uma coisa ficou muito clara para mim.

Eu estava ao lado dela e estava indo para casa.

Meu porto seguro.

E aquela sensação de finalmente poder parar pareceu dizer mais do que eu conseguia explicar naquele momento.

Conversando com ela, comecei a entender que talvez aquele choro que veio sem aviso não tivesse surgido do nada.

Talvez fosse o acúmulo.

O estresse do antigo emprego.

Tudo o que aconteceu naquele período.

O processo trabalhista que ganhei, mas cujo dinheiro ainda não recebi.

A demora da Justiça.

A frustração de olhar para uma situação que parece não terminar.

A cobrança interna por estar formada e, ao mesmo tempo, ainda tentando descobrir como lidar com tantas coisas profissionais.

E até o excesso de informação.

Entro nas redes sociais e parece que existe uma nova tragédia esperando para aparecer na tela.

Ligo a televisão e lá vem outra notícia ruim.

Cheguei ao ponto de simplesmente não assistir mais jornal em determinados momentos.

Não porque acho que devemos ignorar o mundo.

Precisamos saber o que acontece ao nosso redor.

Mas também precisamos saber quando fechar a porta para o barulho externo e cuidar um pouco da nossa própria cabeça.

Porque existe uma diferença entre estar informado e estar permanentemente sobrecarregado.

E talvez eu tenha passado um pouco do limite sem perceber.

A gente vai acumulando.

Um problema aqui.

Uma preocupação ali.

Uma situação mal resolvida.

Uma cobrança.

Uma frustração.

Mais uma notícia ruim.

Mais uma coisa para resolver.

E continua.

Porque tem trabalho.

Tem conta.

Tem compromisso.

Tem gente precisando da gente.

Então a gente pensa:

"Depois eu descanso."

Só que o corpo também participa dessa história.

E uma hora ele pode cobrar a conta.

Por isso, cada vez mais acredito que precisamos encontrar alguma coisa que funcione como uma válvula de escape.

Faça terapia.

Pratique algum esporte.

Leia.

Cozinhe.

Faça artesanato.

Caminhe.

Cuide de plantas.

Brinque com seu cachorro.

Assista uma série sem culpa.

Converse com alguém que faça você se sentir em casa.

Não importa tanto qual seja a atividade.

O importante é existir algum espaço em que você não esteja apenas sobrevivendo às obrigações do dia.

Porque descansar não é perder tempo.

Cuidar da cabeça não é frescura.

E procurar ajuda profissional não significa que você fracassou em lidar com a vida.

Significa reconhecer que você é humano.

Talvez a maior dificuldade seja perceber que estamos chegando ao limite antes de ultrapassá-lo.

Hoje meu corpo me lembrou disso.

E talvez essa seja a parte mais importante dessa história:

não espere o corpo gritar para começar a ouvir o que ele está tentando dizer.


📚 Indicação de leitura

A Coragem de Ser Imperfeito — Brené Brown

Uma leitura interessante para refletir sobre vulnerabilidade, autocobrança, perfeccionismo e a pressão que colocamos sobre nós mesmos para parecer que estamos sempre dando conta de tudo.

👉 Confira a edição disponível na Amazon


Atenciosamente,

A Observadora Ácida


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