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O mercado da mediocridade confortável

Existe algo que sempre me impressiona: a quantidade de pessoas que se acomodam no mínimo esforço possível — 

e pior, ainda acham normal. Não é nem sobre ser perfeito. É sobre ter vontade de aprender, evoluir e aproveitar oportunidades quando elas aparecem.

Esses dias fui conversar com uma cabeleireira aqui da rua para saber se ela fazia penteados para casamento. Nada absurdo. Mas, antes mesmo de eu mostrar direito o que queria, ela já soltou:
— “Faço… mas trança não.”

Na hora eu pensei: uau. Que segurança é essa em limitar o próprio trabalho antes mesmo de ouvir o cliente?

E detalhe: um dos penteados que eu tinha salvo realmente tinha trança. Mas nem era algo impossível, daqueles penteados cinematográficos dignos de tapete vermelho. Era algo comum, bonito, totalmente aprendível. Coisa que hoje qualquer profissional consegue estudar em vídeo, curso, prática, internet… se quiser.

Mas talvez aí esteja o problema:
muita gente simplesmente não quer.

Expliquei que ainda estava pesquisando orçamento porque o casamento seria dali um mês e pouco. Seria penteado para mim, minha mãe e talvez minha irmã também. Ou seja: não era uma cliente aleatória perguntando preço por curiosidade. Era um possível serviço completo.

Ela disse que eu poderia mandar fotos depois para ela avaliar o que daria certo no meu cabelo e passar valores. Achei ótimo. Afinal, eu já tinha sido cliente do salão dela, feito unhas lá, conversado várias vezes… aquela relação típica de salão de bairro onde o cliente cria certa proximidade.

Cheguei em casa, separei inspirações, mandei tudo direitinho, perguntei qual penteado ela achava mais adequado para meu cabelo…

Resposta?
Só no fim do dia. Disse que a filha tinha pego o celular dela e pronto.

E o orçamento?
Nunca veio.

Duas semanas se passaram.

E sinceramente? Isso diz muito sobre o mercado atual.

Porque não é apenas sobre cabelo. É sobre postura profissional.

Hoje existe salão em toda esquina. Adega em toda esquina. Loja em toda esquina. O que faz alguém escolher você não é apenas preço — é interesse, dedicação, vontade de atender bem.

Se um cliente te procura, existe um motivo. Em meio a dezenas de opções, ele escolheu você primeiro. E ainda assim, muita gente age como se estivesse fazendo favor em trabalhar.

O mais curioso é que, em vez de enxergar uma oportunidade de crescimento, muitos preferem se limitar ao confortável:
lavar,
secar,
fazer a mesma chapinha de sempre,
repetir o automático,
e pronto.

Sem estudar algo novo.
Sem tentar.
Sem curiosidade.
Sem ambição profissional.

E veja bem: ela tem todo direito de decidir o que quer ou não fazer no próprio salão. O espaço é dela. O negócio é dela. O problema não é esse.

O problema é a mentalidade do “não faço” antes mesmo de tentar entender a necessidade do cliente.

Porque existe uma diferença enorme entre:
“Não sei fazer”
e
“Não quero aprender”.

Se fosse comigo, talvez eu dissesse:
“Olha, ainda não domino esse tipo de penteado, mas posso estudar, tentar ou indicar algo parecido.”

Isso demonstra interesse. Demonstra profissionalismo. Demonstra vontade de crescer.

Mas talvez eu ainda esteja romantizando demais o esforço num tempo em que muita gente se acostumou a sobreviver apenas no básico — e achar isso suficiente.

No fim, fica a reflexão:
o mercado está realmente competitivo… ou as pessoas simplesmente desistiram de evoluir?

📚 Indicação de leitura

Mindset: A Nova Psicologia do Sucesso, de Carol S. Dweck, é uma leitura perfeita para refletir sobre crescimento, acomodação e a diferença entre quem vê limites como barreiras definitivas e quem encara aprendizado como possibilidade.

O livro mostra como a mentalidade influencia diretamente nossa capacidade de evoluir — tanto na vida pessoal quanto profissional. E, sinceramente? Em tempos onde muita gente desiste antes mesmo de tentar, essa reflexão faz falta.

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Atenciosamente,
A Observadora Ácida

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