Entre o pedágio e a indiferença
Lá estava eu voltando de viagem, atravessando o pedágio da cidade de Mairiporã (MG), quando a cena me fez frear a alma: três carros tentando encurralar um cachorro no canto da rodovia. Desci do carro perguntando o que havia acontecido, se precisavam de ajuda. Silêncio. Três mulheres em volta do animal, mas ninguém encostava. Não por agressividade do cachorro — ele não rosnava, não mostrava os dentes. Estava apenas apavorado. O medo ali não era dele. Era humano. Ou talvez fosse nojo disfarçado de cautela. Foi um homem, no carro ao lado, quem finalmente explicou: — Um carro acabou de passar pela cancela do pedágio e jogou o cachorro pela janela. Sim. Jogou. Como quem se livra de um lixo inconveniente. Como tenho pets, carrego uma guia no carro. Peguei, desci e fui tentar segurá-lo. Enquanto isso, perguntava: alguém viu a placa? Ninguém viu. Estamos sempre tão distraídos — até quando o crime acontece diante dos nossos olhos. Pedi ajuda à senhora que confirmou ter visto o abandono. Sugeri ...