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Mostrando postagens de janeiro, 2026

A coragem que só existe na multidão

Aqui estou eu, mais uma vez, contando um desses absurdos cotidianos que insistem em acontecer. E antes que alguém diga “ah, isso acontece com todo mundo”, sim — acontece. Mas nem por isso deixa de ser revoltante. Fazia muito, mas muito tempo mesmo, que eu não ia a uma feira de rua daquelas raiz: rua fechada, bancas improvisadas, cheiro de pastel, caldo de cana e infância espalhada no ar. Minha mãe veio me visitar e, entre as coisas que ela queria reviver, estava justamente isso — pastel de feira e caldo de cana. Coisas simples. Coisas que aquecem a memória. Eu amo. Saímos de casa com o novo bebê da família: o pet recém-adotado da minha mãe. Primeira vez dele na rua, primeira vez numa cidade grande, de coleira, com todos os estímulos possíveis. No começo, ficou assustado. Travou. Tivemos que pegá-lo no colo algumas vezes, principalmente quando via outros cachorros. Ele latia bastante — medo, curiosidade, nervosismo, vontade de brincar… quem sabe? Só sei que latia e resmungava como todo ...

Quem paga enxerga... Quem espera adoece!

Uma pessoa muito querida por mim estava, desde novembro de 2025, com exames agendados pelo SUS. Entre eles, uma consulta com oftalmologista — daquelas que a gente sabe que demoram, mas acontecem. Ou melhor, deveriam acontecer. A consulta estava marcada para o dia 23/01/2026. Tudo certo. Tudo confirmado. Tudo dentro do roteiro clássico de quem espera meses por um atendimento básico. Eis que, um dia antes, ligam para cancelar. Motivo? O profissional que realizaria o exame simplesmente “não vai comparecer”. Pronto. Fim de linha. Dois meses de espera descartados com uma ligação de minutos. Agora me explica: estamos falando do CEMA. O CEMA. Um hospital de grande porte, referência em oftalmologia. Quer dizer que só existe um único profissional capacitado para realizar esse exame? Nenhum plano B? Nenhuma substituição? Nenhuma alternativa? Curiosamente — e aqui entra a parte que incomoda — se você atravessar a rua e entrar na loja de óculos ali do lado, dizendo que precisa atualizar a receita ...

Educação sob demanda

Conheço essa pessoa há anos. Daquelas que aparecem, somem, reaparecem — sempre quando convém. Em 2020, auge da pandemia, ela me procurou. Queria aprender a fazer dinheiro render. Investir. “Nem que fosse pouco”, dizia. Engraçado como, quando o aperto aperta, todo mundo lembra de quem estudou, de quem se dedicou, de quem sabe explicar. Na época, eu já estava havia dois anos aprendendo a investir — pouco a pouco, como sempre fiz. Ajudei. Abri para ela uma conta em uma corretora de investimentos , expliquei que transferências precisam ser de conta para conta de mesma titularidade , fiz tudo certo. Do jeito certo. Porque gosto das coisas certas. Desde então? Silêncio. Nem comigo, nem com a minha mãe — que mora na mesma cidade — ela mantém contato. Só aparece quando precisa. Educação sob demanda. Afeto sob demanda. Conveniência pura. Pois bem. Ano novo. Família reunida. Mesa cheia, conversa boa. E eis que ela manda mensagem para minha mãe perguntando se ela estava disponível para u...