Existe um tipo específico de convocação na minha vida. Ela nunca começa com: “Como você está?” Ela começa com: “Oi. Preciso que você...” Meu sogro é a personificação da bondade desprotegida. Mais de 60 anos. Sem casa própria. Sem bens. Mas com um coração que cabe o mundo — e um talento impressionante para aceitar qualquer coisa que empurrem pra ele. Fim do ano passado ele apareceu com um celular novo. Capa. Película. Nota fiscal mostrando R$150 numa película. Eu tive um pequeno colapso silencioso. “Já estava colocado, então eu paguei”, ele disse. Se alguém oferecer um rim parcelado em 12x, ele considera. E não é maldade. É ingenuidade combinada com vendedores que enxergam aposentadoria como meta mensal. Outro dia surgiu com mais uma situação: “Preciso que você vá comigo na Pernambucanas resolver um chip.” Um chip. Ele já tem um. Mas aceitaram vender outro. Que era 29,90. Ou 140 e pouco. Ou 200 e tanto. Nem ele sabe explicar. E eu tentando extrair informações como s...
Este blog é meu diário, minha lupa e minha válvula de escape. Histórias do cotidiano, reflexões ácidas e aquela verdade que incomoda — mas precisa ser dita.