A coragem que só existe na multidão
Aqui estou eu, mais uma vez, contando um desses absurdos cotidianos que insistem em acontecer. E antes que alguém diga “ah, isso acontece com todo mundo”, sim — acontece. Mas nem por isso deixa de ser revoltante. Fazia muito, mas muito tempo mesmo, que eu não ia a uma feira de rua daquelas raiz: rua fechada, bancas improvisadas, cheiro de pastel, caldo de cana e infância espalhada no ar. Minha mãe veio me visitar e, entre as coisas que ela queria reviver, estava justamente isso — pastel de feira e caldo de cana. Coisas simples. Coisas que aquecem a memória. Eu amo. Saímos de casa com o novo bebê da família: o pet recém-adotado da minha mãe. Primeira vez dele na rua, primeira vez numa cidade grande, de coleira, com todos os estímulos possíveis. No começo, ficou assustado. Travou. Tivemos que pegá-lo no colo algumas vezes, principalmente quando via outros cachorros. Ele latia bastante — medo, curiosidade, nervosismo, vontade de brincar… quem sabe? Só sei que latia e resmungava como todo ...