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A fila do Sermão

Há filas que ensinam decência. E há filas que ensinam exatamente o contrário — a arte de empurrar a alma alheia. Hoje vi uma senhora com sacola cheia esperar educadamente. Ao lado, um homem com fone nos ouvidos interpretava a pressa do mundo como licença para transformar o espaço público em seu reino de ego. Cortou, calculou, esticou o braço: “Só passo na frente, é rapidinho”. Rapinho é o conto de fadas dos inconvenientes. O que me impressiona é a fantasiosa ética de quem acha que o próprio tempo vale mais do que o de todos. Como se os minutos dele tivessem mais quilates. Pergunto: desde quando a pressa virou argumento? Desde quando a ausência de educação virou prioridade? A fila ensina paciência. Mostra o quanto esquecemos de olhar para o outro. E quando alguém resolve ensinar com antecedência, a plateia aplaude o que antes era imperdoável: a grosseria disfarçada de eficiência. Se a vida fosse só dessa pressa, ainda bem que existem filas. Elas nos lembram que, por enquanto, o mund...

A Ética saiu para o Recreio e não voltou mais

Mais uma vez estou aqui — e, como sempre, outra indignação me aparece. Vim visitar minha mãe, que trabalha com van escolar para uma escola pública. Pela manhã, todos os funcionários se reúnem para o café, com bolachas e risadas, prontos pra começar o dia. Minha mãe vai à escola três vezes por dia para fazer seu serviço, e nessas idas e vindas, alguns funcionários pegam carona com ela. E, como em todo ambiente de trabalho, as fofocas correm soltas. Mas desta vez, não é só fofoca: é absurdo mesmo. Ela ficou sabendo que acontecem roubos dentro da própria escola — e não de pessoas de fora, mas dos próprios funcionários. Sim, você leu certo. A cozinheira… e até a própria diretora. Eles roubam alimentos que deveriam ser das crianças. Comem ou levam pra casa o que foi destinado à merenda. Enquanto isso, as crianças comem maçãs cortadas em quatro pedaços, quando o certo seria cada aluno receber uma maçã inteira. E tem mais: a senhora cozinheira coloca colher de boca diretamente na comida das c...

A advogada sem NoçãoO

  💭 Mais uma Observação Ácida da minha Vida... Aí vai mais uma observação ácida da minha vida — mais uma prova de que não importa a profissão: quando a pessoa só enxerga o próprio umbigo, o “dane-se o próximo” fala mais alto. Fui demitida sem justa causa de uma empresa e, através da terapia (que ainda faço e recomendo — todos deveriam fazer!), recebi indicação da minha psicóloga sobre uma advogada. Movi uma ação contra a empresa, ganhei o processo, e tudo certo. Recebi o primeiro repasse, e ainda restavam algumas parcelas. Até aí, tranquilo. Só que surgiu a oportunidade de comprar uma casa, e — como gosto das coisas feitas direitinho (sim, sou insuportável com isso) — procurei a mesma advogada para me orientar. Não pedi favor, só orientação. Ela deixou claro, várias vezes, que por eu já ser cliente do escritório, não cobraria a consulta . Repetiu isso tantas vezes que até achei exagero. Agradeci, paguei apenas a taxa pra puxar a matrícula do imóvel, e pronto. Depois de es...

Carta de ApresentaçãoO

📨  Seja bem-vindo(a) ao Diário de uma Observadora Ácida Alguns colecionam figurinhas, outros memórias. Eu coleciono absurdos do cotidiano — os comentários fora de lugar, as contradições disfarçadas de “opinião”, os pequenos espetáculos do ego humano que acontecem todos os dias diante dos nossos olhos. Bem-vindo(a) ao Diário de uma Observadora Ácida , um espaço onde o sarcasmo é ferramenta de análise e a ironia, uma forma de carinho. Aqui, falo do que vivi, ouvi e engoli (ou não). Situações reais, pensamentos fora da curva e reflexões que às vezes queimam um pouquinho — mas curam. Não prometo conforto, mas prometo sinceridade. Se você também observa o mundo com uma sobrancelha arqueada e uma risada contida, então vai se sentir em casa por aqui. Pegue seu café (ou sua paciência) e vem comigo. A acidez é opcional — mas o olhar crítico, esse é obrigatório. Atenciosamente, A Observadora Ácida